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No mundo ocidental, são muitas as vozes que nos vão lembrando, de tempos a tempos, que já não sabemos encarar a morte com frontalidade e dignidade. Assumiu-se que falar da morte é produzir uma dor ou um mal-estar que colidem com os valores da nossa sociedade, cada vez mais voltada para o culto da beleza e da eterna juventude. Até sensivelmente às décadas de 70 ou 80 do século passado, a sociedade portuguesa, sobretudo a mais rural, não escondia dos mais novos as doenças, o envelhecimento e a morte dos entes queridos, e o cancioneiro infantil e juvenil era uma das grandes expressões e uma das fontes de todos estes temas. Hoje, estas são questões praticamente silenciadas, dir-se-ia até proibidas, e por isso muitas crianças são educadas sem o conhecimento da morte. Partindo destes pressupostos, abordaremos neste artigo a questão da morte na poesia oral e tradicional infantil portuguesa moderna e contemporânea. Veremos, em particular, se a morte aparece mais como personagem ou mais como acontecimento, refletiremos sobre os seus tipos e as suas incidências semânticas, simbólicas e pragmáticas, e discutiremos se vale a pena trazer estes textos para o contexto educativo.
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Reconheço na literatura e nos estudos literários um lugar central na História e na evolução do ser humano e da sociedade, e este livro, dividido em duas secções (Poesia e Ficção), é o reflexo disso mesmo; reflexo, também, de obras teóricas que, independentemente dos seus princípios de base (mais biografistas, psicologistas ou socioculturais, mais formalistas e estruturalistas, mais de estilística e retórica, etc., ou mais de síntese entre as várias orientações), têm sido decisivas para a constituição da crítica literária moderna e do seu propósito de determinação, na medida do possível, dos sentidos e valores de um texto literário ou de um sistema de obras literárias.
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A poesia oral não pode ser compreendida fora da estrutura social em que vive, nem o funcionamento da comunidade pode ser integralmente apreendido sem um conhecimento da sua poesia de transmissão oral. Por isso, neste estudo, influenciado pelo pensamento de José de Almeida Pavão Júnior e Paul Zumthor, procuramos demonstrar que uma abordagem séria da poesia oral não pode fixar-se unicamente no âmbito do literário, nem apenas nos seus aspectos culturais, antropológicos e sociológicos. A poesia oral, como as tradições em geral, só existe porque cumpre funções. Refletir sobre este aspecto é também pensar sobre o contexto social e cultural da performance literária, a idiossincrasia dos poetas-intérpretes e do grupo social, as diferentes espécies, a linguagem e o estilo, as circunstâncias da composição, da transmissão e da recepção dos textos.
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The article presents the celebrated peleja (verse exchange) between Inácio da Catingueira and Romano da Mãe d'Água in the Brazilian North-East. The polemic peleja de cordel (a kind of chapbook), which evokes a poetic contest that allegedly took place in 1874 or 1875 in Recife, is regarded as the first of a kind that forms one of the most important phases in Brazilian cordel literature. On the one side stands a slave poet and on the other a landowner; each aims to defend and to characterize the race and social class to which he belongs. The article aims to demonstrate the influence of scientific thinking in popular literature, particularly with regard to ethnic and cultural miscegenation.
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Prólogo Capítulo I: Testimoniar en oxímoron (El caso César Vallejo) Capítulo II: Testimoniar sin lengua (El caso Alejandra Pizarnik) Capítulo III: Testimoniar sin metáfora (Los casos Washington Cucurto, Martín Gambarotta, Roberta Iannamico). *** Testimoniar en oxímoron, testimoniar sin lengua, testimoniar sin metáfora. Con estas tres fórmulas, Tamara Kamenszain bordea lo dicho por la poesía en los casos César Vallejo, Alejandra Pizarnik, Washington Cucurto, Martín Gambarotta y Roberta Iannamico. El testimonio no es prueba de la realidad sino en todo caso una muestra de vida. La poesía como testimonio mantiene viva la posibilidad de decir. Poniendo los saberes en falta, la poesía dice, da cuenta de la realidad, pero sin que esto signifique apelar a los realismos. En la imposibilidad indecible de todo testimonio, allí la poesía encuentra su boca. En este marco, los ensayos de Kamenszain registran una nueva lectura, tejen otros textos: el Vallejo de España, aparta de mí este cáliz pone en fecha los hechos, recibe en el propio aliento la boca del otro, mata la muerte. Y así como Vallejo deja entrar lo que de vida hay en la muerte, Pizarnik tramita lo que de muerte hay en la vida, en el punto de cese de la lengua que habla en sus últimos libros. Intentando despegar la escritura poética de su herramienta retórica por excelencia, la metáfora, los nuevos poetas buscan pinchar el efecto de show de la realidad. El realismo atolondrado en Cucurto, la búsqueda de lo real en Gambarotta, y el uso en Iannamico son modos de poner al poema en circulación, justo antes de que la ‘literatura’ se extinga. Precisa, lúcida y emotiva, la mirada de Kamenszain renueva las lecturas de dos grandes poetas de la poesía latinoamericana y descubre modos posibles de leer a las nuevas generaciones de la poesía argentina.
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O macrocampo onde a sátira oral se expande com o vigor cortante dos epigramas é o do elemento humano. Nesta forma de expressão pontuam figuras, tipos humanos e classes sociais que, pelos seus vícios, tiques ou ações, se tornaram objecto de derisão destrutiva. Categoria estética relegada, regra geral, para as franjas mais marginais do sistema semiótico literário oral tanto pelos intérpretes-autores como pelos estudiosos e pelos recetores – como não raro sucede na sátira da literatura tout court –, a sátira em verso constitui um instrumento ao serviço da nomeação daquilo que, num determinado momento histórico, é visto como degenerescência da sociedade ou como vício e maldade de alguns dos seus membros (pessoas e instituições).
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El siglo XX se terminó –y el XXI empezó o, todavía, espera– con una crise de vers no menor de la que Mallarmé diagnosticó –y contribuyó a precipitar– a finales del XIX. El signo de la crisis, sin embargo, es distinto: con el simbolismo se trataba de una tensión no resuelta entre los instrumentos tradicionales de la poesía y la búsqueda de algo nuevo, de recomienzo. El mundo cambiaba visiblemente y a poesía buscaba su lugar en una situación demasiado volátil para su necesidad de pisar suelo firme. En esa zona de transición se carga el resorte que va a impulsar las primeras vanguardias. La crisis de hoy es menos un desconcierto que un compás de espero.
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